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  • Writer's pictureMatheus Zani

Expandindo seus negócios no exterior? Como o risco cambial pode afetar você?

Updated: Apr 25, 2023


Como uma estratégia de hedge pode permitir que uma empresa entre em novos mercados com confiança, expanda suas operações globais, assim como ampliar sua atividade com mais conforto e previsibilidade?

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Junto com a empolgação e a expectativa de se aventurar fora do mercado local de uma empresa, vêm os obstáculos que devem ser superados para ter uma chance de sucesso.


O risco cambial é um desses obstáculos, e alguns diriam que é o maior. Quando as atividades são expandidas para os mercados internacionais, o número de moedas em suas operações também tende a aumentar, expondo seu novo empreendimento ao risco cambial.



Mas, quanto uma taxa de câmbio pode variar?


Em poucas palavras, MUITO.


As moedas dos países da América Latina historicamente experimentaram altos níveis de volatilidade anual, em outras palavras, flutuação cambial. Essa alta volatilidade anual pode ser atribuída a vários fatores:


● Instabilidade política,

● Incerteza econômica,

● Dependência de exportações de commodities,

● Fluxos de investimento estrangeiro e

● Especulação cambial.


Esses fatores podem criar incerteza, aversão ao risco e flutuações repentinas na taxa de câmbio.


Como podemos notar no gráfico abaixo, a moeda brasileira experimenta elevadas flutuações em sua taxa de câmbio, muito acima do observado nas moedas de economias desenvolvidas, como por exemplo União Europeia e Reino Unido. Contudo, muito próximo de seus pares latinos.



Em geral, o Real tem experimentado alta volatilidade ao longo dos anos. Fatores como a instabilidade política, a incerteza econômica e a dependência de exportações de commodities podem afetar significativamente a taxa de câmbio do Real.


Nos últimos anos, a pandemia do COVID-19 também teve um grande impacto na economia brasileira e na taxa de câmbio do Real. A desvalorização da moeda aumentou a inflação e dificultou o acesso a produtos importados, afetando o poder de compra dos brasileiros.


Apesar dos desafios enfrentados, o Real continua sendo uma importante moeda no cenário internacional e a economia brasileira segue em busca de estabilidade e crescimento.



Por que todas as empresas com atuação internacional deveriam estar cientes do risco de tais movimentos na taxa de câmbio?


As flutuações da taxa de câmbio afetam várias transações comerciais, incluindo:


I. Recebíveis de exportação

II. Pagamentos de importação

III. Envio de remessas entre escritórios e subsidiárias da mesma empresa

IV. Empréstimos em moeda estrangeira

V. Outras receitas (royalties, juros, dividendos, etc.)


Além disso, as flutuações da taxa de câmbio afetam muitos aspectos dos negócios internacionais, como fluxo de caixa, liquidação de contratos e valuation da empresa.


Para um exemplo específico no agro, o fluxograma abaixo fornece uma visão geral da indústria de exportação de frutas. Se o exportador faturou na moeda do comprador ou em qualquer outra moeda diferente de sua moeda funcional (geralmente dólar americano), ele estará expondo suas margens de lucro às flutuações cambiais.



Como exportador, o risco cambial ocorre frequentemente devido à necessidade de converter a fatura na moeda do comprador (ou dólar americano) à taxa à vista (spot) prevalecente no dia em que a fatura é emitida. Seu cliente (comprador) então liquida a fatura em sua moeda local, normalmente em qualquer período entre 15 a 60 dias depois, dependendo dos termos que eles celebraram. Então, somente depois que as remessas/fundos forem recebidas, o exportador pode converter o pagamento em sua moeda local.


Este processo deixa o exportador de frutas exposto às mudanças na moeda local durante o intervalo de tempo entre a emissão da fatura e o recebimento do pagamento. Simplificando, se o exportador brasileiro for obrigado a faturar um cliente em dólares americanos e o real se valorizar em relação ao dólar americano durante este período, o exportador receberá menos reais do que o inicialmente previsto. Veja abaixo um exemplo ilustrativo:



Caso 1) Sem estratégia de hedge cambial


Dia 03/01/23 – Celebração do contrato de compra e venda


● Valor da fatura (invoice) com vencimento em 02/23/23 = US$ 350.000

● Taxa de câmbio USDBRL no dia 03/01/23 = R$ 5,50

● Montante em Reais esperado para receber = 350.000 x 5,50 = R$ 1.925.000


Dia 23/02/23 – Recebimento da fatura e fechamento do câmbio



● O exportador de frutas brasileiro converte os recebíveis de dólar para real usando a taxa spot do momento do fechamento do câmbio no dia 23/02/23= R$ 5,13

● Montante em Reais = 350.000 x 5,13 = R$ 1.795.500


Neste período entre 03/01 e 23/02, o real se apreciou em relação ao dólar americano, desta forma o exportador recebeu R$ 129.500 a menos do que inicialmente previsto.


Estratégias de gestão de risco cambial


Com estratégias de hedge implementadas, as empresas podem não apenas proteger os recebíveis ou pagamentos contra a volatilidade do mercado, mas também maximizar seu lucro aproveitando a estrutura e os movimentos favoráveis que o mercado de câmbio possibilita.


Existem quatro tipos básicos de derivativos no qual constitui uma estratégia de hedge: a termo, futuros, opções e swaps. Um contrato de derivativo é um contrato entre duas partes que especifica que uma quantia em dinheiro pode ser trocada em uma data posterior a um preço fixado hoje. O valor do contrato é derivado da taxa spot atual e de uma taxa a prazo (futura) que leva em consideração o diferencial da taxa de juros entre ambos países de contraparte.


Tipo 1: Contrato a termo ou Forward


Um Non-Deliverable Forward (NDF) é um acordo entre duas partes para comprar ou vender um montante acordado (em moeda não conversível), em uma data de vencimento específica e à uma taxa futura definida. No vencimento, a taxa futura é comparada com a taxa de referência desse dia (geralmente a PTAX). A diferença entre a taxa futura pré-acordada e a taxa de referência é liquidada em moeda conversível em sua conta na data de vencimento. Portanto, você pagará ou receberá a diferença. Como em uma transação a termo, os custos de um NDF correspondem ao diferencial de juros entre as duas moedas.


Tipo 2: Contrato Futuro


Semelhante a um contrato de NDF, o contrato futuro é um acordo entre duas partes para comprar ou vender um montante acordado (em moeda não conversível), em uma data de vencimento específica e à uma taxa futura definida. No entanto, um contrato de futuros é


negociado em bolsas de futuros organizadas e obriga seu comprador (vendedor) a comprar (vender) uma determinada quantia em dinheiro (tamanho do lote) em algum momento no futuro. O risco da contraparte é baixo, uma vez que são negociadas em bolsa, no entanto, tamanhos de contrato rígidos e requisitos de margem diária podem torná-los difíceis de administrar.


Tipo 3: Contratos de opção

Uma opção sobre um contrato futuro é o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um contrato futuro específico a um preço específico em ou antes de uma determinada data de vencimento. Existem dois tipos de opções: opções de compra e opções de venda.


Tipo 4: Swaps

Um swap é um acordo entre duas contrapartes para trocar instrumentos financeiros, fluxos de caixa ou pagamentos em um determinado momento.


Se voltarmos ao exemplo acima (caso 1), onde o exportador de frutas tem um recebível de US$ 350.000 e implementarmos uma estratégia de hedge cambial usando contrato a termo (NDF), teremos o seguinte resultado.



Caso 2) Com estratégia de hedge cambial


Dia 03/01/23 – Celebração do contrato de compra e venda



● Valor da fatura (invoice) com vencimento em 23/02/23 = US$ 350.000

● Taxa de câmbio USDBRL no dia 03/01/23 = R$ 5,50

● Taxa de câmbio futura (NDF) para 23/02/23 = R$ 5,55

● Montante em Reais com hedge = 350.000 x 5,55 = R$ 1.942.500


Dia 23/02/23 – Recebimento da fatura, fechamento do câmbio e expiração do hedge cambial



● exportador de frutas brasileiro converte os recebíveis de dólar para real usando a taxa spot do momento do fechamento do câmbio no dia 23/02/23 = R$ 5,13

● Montante em Reais = 350.000 x 5,13 = R$ 1.795,500

● A estratégia de hedge cambial (NDF) expira contra a taxa spot/PTAX no dia 23/02/23 = R$ 5,13

○ Resultado da estratégia de hedge = 5,55-5,13 = R$ 0,42

○ 350.000 x 0,42 = + R$ 147.000


Resultado total é:


● Recebível em Real devido a exportação = R$ 1.795,500 (a)

● Resultado da estratégia de hedge = + R$ 147.000 (b)

● Total (a+b) = R$ 1.942.500


Se compararmos os dois casos (com e sem estratégia de hedge cambial), podemos ver que o exportador não só protege a taxa spot de R$ 5,50 no momento em que emitiu a fatura, mas também maximiza seu lucro devido à curva futura do dólar que permite precificar sua fatura por meio de um taxa de câmbio futura de R$ 5,55.


Assim, o exportador recebe R$ 147.000 a mais do que sem uma estratégia de hedge cambial implementada.



Hedging – Vantagens


O hedge oferece vantagens substanciais para empresas que operam no mercado externo e custa comparativamente pouco. O hedge com os derivativos mencionados acima permite que uma organização fixe uma taxa de câmbio que estabiliza os custos operacionais ou a receita de vendas de uma empresa, ao mesmo tempo que protege sua paridade orçamental (ou seu breakeven point). Definir e proteger uma paridade orçamental pode permitir que uma empresa entre em novos mercados com confiança, expanda suas operações globais e amplie suas atividades com mais conforto e previsibilidade.


É importante que o risco cambial seja gerenciado, para que os executivos possam concentrar suas energias nas principais operações e produtos da empresa, e não nas flutuações cambiais.



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Um especialista em mercado de câmbio pode lhe ajudar a elaborar uma estratégia de gerenciamento de riscos sob medida para atender as suas demandas.


Se você deseja discutir mais sobre o risco cambial e como se proteger, entre em contato:


Matheus Zani – Head of LATAM




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